feliz dia torto
Um texto corajoso: meu feliz dia dos namorados vai para os caras que já amei. Correspondida ou não.
Desde o primeiro, que me emprestava livros que nunca li, mas que me fazia dar boas risadas - ali, no auge dos 10, 11 anos de idade, eu poderia definir aquilo como amor, mas não sabia muito bem o que fazer com aquilo. Era lindo.
E depois vieram outros. Eles, com seus cinemas frustrados, longas caminhadas para encontrar o tênis perfeito, abraços que me completaram e me deixaram sorrindo boba por dias, beijos certeiros e alegrias compartilhadas. Que me abandonaram no show do Pixies e que eu abandonei no show do Sonic Youth. Pelos quais eu viajei para uma experiência que falhou. Pelos quais eu viajei para uma experiência que até falhou, mas foi incrível.
Para poucos, por minha falta de expressão - corrigir - consegui definir o que tudo aquilo significava. Não que alguns deles se importassem, de fato, mas é assim que a gente se sente melhor.
Porque celebrar o amor é bom. Pode ser que ele não exista mais agora, mas uma simples lembrança traz a presença e um sorriso em meio à saudade. Não amo, mas amei. E sigo na esperança de aumentar essa lista das coisas boas da vida - e que ela seja, de fato, eficaz.
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Playlist de Maio
Um mês cheio e, ao mesmo tempo, vazio.
1 - Macaé - Clarice Falcão
2 - Ma Cherie - hidrocor
3 - Let Me Roll It - Paul McCartney
4 - I Need My Girl - The National
5 - In The Fade - Queens Of The Stone Age
6 - Canto de Ossanha - Vinicius de Moraes
7 - Fred Astaire - Clarice Falcão
8 - I Sat By The Ocean - Queens Of The Stone Age
9 - Não Vá Embora - Marisa Monte
10 - A Lack Of Understanding - The Vaccines
11 - Lose Yourself To Dance - Daft Punk
12 - Ana’s Song - Silverchair
13 - We Might As Well Be Strangers - Keane
14 - Choose You - Cambriana
15 - Things Ain’t Like They Used To Be - The Black Keys
16 - Unchain My Heart - Ray Charles
17 - Gonna Make My Own Money - Deap Vally
18 - Vermelho - Marcelo Camelo
we might as well be strangers
so are we.
Spotted
Eu esperava minha amiga tomando um chopp de 500 ml no Quiosque da Brahma. Logo depois veio ele, mas ele optou por um de 700. Percebi que era carioca na primeira fala: “Me vê um chopinho aí”. E não errei.
Ele pega o celular para ver as horas, mas parece não conter os minutos de solidão. Liga para alguém, um amigo, suponho. “E aí, cara, beleza? Tô morando em Campinas. É, já faz uma semana. Mas logo devo mudar pra Manaus. É, você sabe como são as coisas, né? Vamos marcar algo aí. Tchau”.
A feição dele é curiosa. Ele meio que parece com o Freddie Mercury, mas os cabelos são raspados. Tento decidir se isso faz dele um rapaz bonito, mas logo ele faz outra ligação. Outro amigo. “Estou esperando o ônibus para Campanha. Ainda vai demorar, então parei para tomar um chopinho. Saudade do Rio”.
Como a impaciência deveria ser sua maior inimiga, ele aparentemente disca um número que não deveria ter discado.
“Alô, gata”
Aqui eu suponho que a “gata” perguntou a ele o motivo de ele estar sumido, o que ele andava fazendo, coisas assim.
“Tô trampando na TRIP. Mas o salário é uma merda”
Então ela deve ter perguntado como ele chegou até ali e coisa e tal.
“Em breve devo ir pra Manaus fazer um curso”
Provavelmente ela ficou indignada com a distância.
“Quando eu te chamei pra ir morar comigo no Panamá, você não quis. Ficou aí voltando com seus ex-namorados”
Insira aqui alguma indignação da moça a respeito do assunto.
“Eu devo ir pra África, pra Zimbábue. Se eu voltar com você, vai ser pra te pedir em casamento”
Provavelmente ela ficou alegre.
“Só que eu vou virar muçulmano, tá? Pra ter quatro esposas, como você sempre fez”
Ela não deve ter gostado da pontuação, mas não desligou na cara dele.
“Você tá em Campo Belo, né, gata? Se der, eu passo aí pra te ver”
Ela deve ter dito que tava esperando e disse tchau.
“Tchau, até mais”
Em alguns poucos segundos, saquei todo o motivo do chopinho daquele piloto de avião.
Funciona na balada/Não funciona na balada
Lose Yourself To Dance - Daft Punk
Funciona na balada.
Local e momento: pós-show do Vaccines, no Grand Metropole. Deu vibe, e eu duvidava desse tal poder da música ao escutar o disco.
Ana’s Song - Silverchair
Não funciona na balada.
Local e momento: Beco 203 São Paulo, festa História do Rock, momento anos 90. É uma música sobre anorexia. Pode dar a nostalgia que quiser, mas é uma música sobre anorexia. Isso é muito #chateado.
Que show faz o Vaccines, hein?

Redondo, pesado e cheio de classe, em uma das melhores casas de show nas quais já estive.
Em breve, dois textos meus sobre a apresentação estarão no Rock ‘n’ Beats e no BACKBEAT, respectivamente.
I Sat By The Ocean
Esse mês já me apaixonei por “Instant Crush”, do Julian com o Daft Punk, “I Need My Girl”, do The National, mas “I Sat By The Ocean” é meu novo hit chiclete que vou ouvir até enjoar, prevejo.
Reflexão a partir do vestido
Nenhum vestido me agradava - era porque eu tinha gostado daquele outro: ótimo caimento, cor excelente e tudo o mais. Enchi o saco até ser levada ao local no qual eu tinha o visto. Ele me esperava. Vesti novamente e sorri, apesar de ele não parecer tão bom quanto daquela vez. Mas era minha zona de conforto: eu gostava daquilo e não conseguia pensar em nenhuma outra alternativa plausível.
Lembrei que sou assim com homens, comidas e até mesmo com a programação da tv. Algumas coisas, para mim, não deveriam mudar nunca.
Só que o tempo muda sempre.
“Me conta como foi o show do Paul!”

foto: eu mesma pro Rock ‘n’ Beats
Carros de polícia logo atraíram os olhares curiosos em segundos tão velozes que foram impossíveis de ser calculados e fotografados com outra máquina que não fosse o globo ocular. Entre eles, um carro preto passava rápido com quase todos os vidros fechados, exceto um, que trazia na janela um senhor de 70 anos, que vestia um terno preto e óculos escuros e acenava para as pessoas que observavam a cena. Poderia ser um cumprimento qualquer, mas era um cumprimento de Paul McCartney. E por mais que a pessoa finja ter um coração que não se amolece tão fácil, é bem difícil ficar incauto a um tchauzinho de um beatle. Ao menos, assim foi o resultado por aqui: me senti verdadeiramente histérica, emocionada e, por que não, abençoada. Eu escreveria um álbum sobre estes rápidos segundos, mas nem mesmo um emoticon era preciso para demonstrar tal sentimento. Eu não precisava explicar para ninguém à minha volta o que estava acontecendo. Isso tudo também não precisa ser racional. Simplesmente era. Simplesmente foi. Paul McCartney acenou para mim.
A íntegra desse texto tá lá no BACKBEAT
